Pessoas, esse
é um texto longo, árido e nitidamente contra o governo atual. Sou daqueles
contra a continuidade e que enxergam mais males do que bens nele. Mas, pra
tentar facilitar a vida de todo mundo – inclusive dos governistas empedernidos,
aí vai um resumo:
1.
São Paulo é um pouco de cada pedaço do Brasil
2.
Dizer que paulista é preconceituoso é preconceito e generalização
infantil
3.
O discurso de ódio de separação começou com o PT
4.
São Paulo já conhece o rouba mas faz.
5.
O governo Lula/Dilma me lembra o governo Maluf/Pitta, com uma reedição do
Ademar de Barros.
6. Essa análise só vale pro primeiro turno. No segundo, tudo pode se reverter.
Este é o resumo. E agora vem a história.
Desde o fim do primeiro turno, tenho percebido um discurso de ódio
crescente de muitos de meus conhecidos simplesmente porque São Paulo não elegeu
o candidato do PT para governador– ou pior, colocou-o num sofrido 3º lugar —,
além de colocar a candidata à reeleição em segundo. Não senti o mesmo discurso
quanto aos cariocas, onde o candidato a governador pelo PT também amargou um
sofrido 4º lugar. Talvez por que o que importava mesmo é a eleição para
presidente.
Daí, vem um discurso engajado de que o eleitor paulista é “direitista,
conservador, reacionário, preconceituoso e coxinha” (para dizer o mínimo) que,
pelo nível dos comentários, tem tanto significado político quanto “feio, bobo,
melequento, chato e coxinha” (nessa ordem) – ou seja, são utilizados mais para
ofender e acuar do que para explicar ou definir uma posição ideológica.
Normalmente, apenas repetem o que um ou outro formador de opinião (de quem a
repete) disse, sem ao menos saber o que cada um destes termos significa.
Não que muitos dos eleitores paulistas não sejam exatamente assim
(direitistas, conservadores, reacionários e coxinhas). Mas muitos eleitores
mineiros, paranaenses, piauienses e acreanos também o são. Os paulistas não o são mais do que o resto do país. São Paulo é o maior estado do país em
população, em produção de riquezas etc. e provavelmente em desigualdade; não
considerar isso talvez leve as pessoas que não entendem São Paulo (ou que
entendem, mas querem tornar válida alguma teoria) a achar que há preconceito
institucionalizado no Estado, ou um antipetismo, e que a gente se reúne toda
quinta-feira no terraço Itália para tomar um pinot noir e cabernet sauvignon e falar mal do
lulopetismo. E que a gente odeia pobre, nordestino e negro (não
necessariamente nesta ordem).
O que esses críticos se esquecem (ou intencionalmente preferem esconder
por desonestidade intelectual) é que este Estado foi construído por imigrantes,
e que continua recebendo a todos. Difícil você encontrar um “paulista” de
quatro costados por aqui. Mesmo que você
considere o paulista simplesmente como a pessoa que nasce em São Paulo (um
pensamento nada contemporâneo) e não como o cidadão comum deste Estado, aquele
que escolheu São Paulo (ou foi escolhido por ele). Nenhuma cidade brasileira
representa mais a diversidade deste país do que nossa capital. Então, quando se
generaliza que o paulista é “conservador, reacionário e preconceituoso”, você
está dizendo que o brasileiro é “conservador, reacionário e preconceituoso”. E,
obviamente, está incorrendo num preconceito sem tamanho.
Há pessoas
idiotas aqui? Sim. E, como tudo em São Paulo, em números industriais. Mas essas
pessoas, que ganharam voz na internet através das redes sociais (só
amplificada pelos idiotas que denunciaram “o preconceito de São Paulo” e
repetiram essa voz a exaustão), são minoria.
Sério.
O que importa é: essa história de preconceito generalizado dos paulistas
em relação a qualquer coisa é de uma demência sem tamanho. Serve apenas para
manter e justificar esse clima de “nós contra eles”. O Nordeste (a maior cidade
nordestina do país é São Paulo, lembrem-se) está sendo usado pelo partido da
situação com maestria: pega-se o preconceito de algumas pessoas que, muito a
calhar, se identificam como paulistas, amplia-se ao máximo, e assim se causa
uma reação do tipo “eles são nossos inimigos. Se eles votam no candidato A,
então, o candidato A é nosso inimigo.” Ou o jeito mais comum, hoje em dia “os
paulistas são da elite. Se eles votam no candidato A é porque o candidato A é
da elite. A elite é nossa inimiga.” Ou “a mídia” ou “a direita” ou “os
conservadores” ou “os preconceituosos” ou “os melequentos”. Ou qualquer coisa
que sirva para divergir. E aqueles que são vítimas do preconceito de poucos
acabam generalizando seu ódio para muitos. E preconceito gera preconceito.
Mesmo assim, resta analisar o porquê, no primeiro turno, o “paulista”
resolveu eleger o Alckmin no primeiro turno e porque Dilma ficou em segundo
lugar – não sei como vai ser o segundo turno, se a campanha do PT vai conseguir
desidratar (trocadilho :) ) o Aécio ou
não em São Paulo, mas vá lá minha análise.
Lembro de de São Paulo desde a década de
70, mas não velho o suficiente para me esquecer. E, se você não morou em São
Paulo, não vai saber do que estou falando – ou, no máximo, vai entender em
algum grau de comparação. São Paulo não tem preconceito contra o PT. Na
história de São Paulo, o PT sempre foi bem votado. O PT nasceu nas lutas do ABC
paulista (e, então, do seu direitismo, conservadorismo, reacionarismo e
coxinhismo).
A questão não é o preconceito, é a história.
Quando são apresentados a toda corrupção no país nos dias de hoje, mesmo
os situacionistas mais empedernidos sabem o que está acontecendo. E apresentam as justificativas para aceitar esta situação:
1.
Antes era pior. Se entrar a oposição, eles também vão roubar.
2.
O que importa é que o governo está garantindo a distribuição de renda, e
olha pelos mais pobres. Os outros governos nunca fizeram isso. Depois que forem
consolidadas as conquistas de diminuição da desigualdade, poderemos combater
com mais afinco a corrupção.
3.
O país está cheio de obras e de emprego
Basicamente, os motivos para se votar na situação é que o governo atual
olha pros pobres, e faz coisas, enquanto a oposição só rouba e governa para os
ricos.
Ou seja, o governo rouba (ou deixa roubar), mas faz.
E os fins justificam os meios.
E São Paulo tem pelo menos duas experiências com isso: Ademar de Barros
e Paulo Maluf.
Paulo Maluf é aliado do governo atual, e todo mundo conhece sua
história. Inclusive do poste do Paulo Maluf, chamado Celso Pitta. Lembrando que
o Pitta foi preso por corrupção.

Maluf e aliados. Desculpe: Maluf e o eixo.
Ademar de Barros atualmente é menos conhecido fora de São Paulo, mas foi interventor e governador do
Estado e prefeito de São Paulo. Ele chegou a incorporar o lema “rouba, mas faz”
a sua campanha.
Caixa 2? Os ademaristas
tinham até jingle pra isso:
Quem não conhece?
Quem nunca ouviu falar?
Na famosa 'caixinha' do Adhemar!
Que deu livros, deu remédios, deu estrada!.
Caixinha abençoada!
6. Essa análise só vale pro primeiro turno. No segundo, tudo pode se reverter.
Desde o fim do primeiro turno, tenho percebido um discurso de ódio crescente de muitos de meus conhecidos simplesmente porque São Paulo não elegeu o candidato do PT para governador– ou pior, colocou-o num sofrido 3º lugar —, além de colocar a candidata à reeleição em segundo. Não senti o mesmo discurso quanto aos cariocas, onde o candidato a governador pelo PT também amargou um sofrido 4º lugar. Talvez por que o que importava mesmo é a eleição para presidente.
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Maluf e aliados. Desculpe: Maluf e o eixo. |
Quando morreu em Paris, Ademar tinha em espécie aproximadamente U$2.500.0000. Na década de 60. Era dinheiro pra caramba. E quem nos informa disso é o WikiLeaks, pois esse dinheiro foi roubado no famoso caso do "roubo do cofre do Ademar". E, lendo sobre este caso, tem uma coincidência muito engraçada. Não vou fazer spoilers, tá lá no link.
O Caixa 2, a corrupção, tudo era plenamente justificável pelo bem que
ele fazia aos mais pobres. E, por mais que por onde quer que se passe em São
Paulo exista obra de Maluf e do Ademar, hoje São Paulo já sabe que não foi bem assim um governo para os pobres, e que o rouba mas faz, em longo prazo, acaba tirando
daqueles que mais precisam.
Da mesma forma que a inflação. Ou a banalização da corrupção.
Não é um sentimento ou uma certeza facilmente identificável aqui. Mas é uma sensação de que isto já aconteceu.
Como tragédia e como farsa.
E eu sei que, daqui a alguns anos, o Brasil vai ter tanto orgulho do
governo atual quanto São Paulo tem orgulho destas administrações
Ademar/Maluf/Pitta. Obviamente, quem é ademarista, malufista e/ou petista,
hoje, vai achar que eu estou completamente errado.
E, acredite,
eu realmente preferia estar errado.
David Araújo
Para saber mais:
O cofre do Ademar: clique aqui para saber mais. Sem Spoilers!
Ademar de Barros: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ademar_Pereira_de_Barros
E, acredite, eu realmente preferia estar errado.
Para saber mais:
O cofre do Ademar: clique aqui para saber mais. Sem Spoilers!
Ademar de Barros: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ademar_Pereira_de_Barros
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